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jun 10

Entrevista: Prof. Diretor Dr. José Tobias

REKADU: Professor Tobias, como e quando surgiu o interesse de residir na cidade de Alta Floresta?

José Antonio Tobias: Normalmente essa pergunta todo mundo que me conhece, ou não, me faz. O pessoal fica muito intrigado. Eu morava no estado de São Paulo, a 3 mil km daqui. Como é que vim parar aqui, em plena mata Amazônica? Eu chamo isso aqui de um pedaço do céu – O processo foi muito devagar, foram vários anos de vinda, visitando. Eu tive que me aposentar da UNESP, aí eu comecei a querer a fundar a faculdade, primeiro no estado do Mato Grosso do Sul. Tentei em Maracaju, tentei em Corumbá e em várias cidades [a faculdade] não deu certo. E depois, aqui no Mato Grosso, eu fui tentando Cuiabá, inclusive junto com o dono da UNIC, Dr. Altamir, que era meu amigo, depoisem São José dos Quatros Marcos, Mirassol. Aí depois eu vim para Sinop, onde não me interessou. Então eu caí aqui, mais ou menos eu cheguei um pouco antes de 1990. Os primeiros cursos que apareceram foram três, em 1995, e o primeiro vestibular foi em 1996 aí que foi devagarinho aparecendo o meu interesse como estão me perguntando aqui pela cidade de Alta Floresta.

REKADU: Comente como foi o surgimento da faculdade de Alta Floresta (FAF) que também era conhecida na época como Uniflor?

José Antonio Tobias: Alta Floresta sempre foi um sonho, eu e meu filho Sergio, um profundo conhecedor em geografia e economia, um conhecedor de informação de qualquer cidade do Brasil e até certo ponto do mundo, foi quem me forneceu informações de Alta Floresta. Vim com a intenção de fundar então a universidade de Alta Floresta, nem era a faculdade, como a faculdade de Ciências Contábeis, mas na verdade, se Deus quiser já estamos realizando devagarinho a universidade de Alta Floresta.

REKADU: O senhor teria algum fato marcante para dizer ao longo de anos na administração da FAF, algo que marcou ao longo desses anos que o senhor está administrando a faculdade?

José Antonio Tobias: Engraçado você está me perguntando; tem fatos, e vamos dizer, históricos, assim quase ametódicos. Tem uma porção de fatos. Eu vou contar um que a gente teve no começo que: eu viajava para cá, às vezes de avião, mais na maioria das vezes eu vinha de ônibus. Eram 38 horas de ônibus de Marilia até aqui, sem parar, e nós estávamos ainda bem antes, no ano de 1995, quando chegamos depois de Santa Helena. Era tudo chão ainda, então o ônibus vinha derrapando, e eu não estava muito acostumado com atoleiro. E o ônibus de repente atolou as duas rodas da frente, e o ônibus então pranchou no chão. Ficou então as duas rodas de traz que saíram e as da frente que ficaram. Era mais ou menos meia noite, o ônibus cheio, tinha crianças, senhoras; e aí o pessoal cansado de esperar começou a andar um pouco pela estrada. Deveria ser uma noite de lua. De repente alguém gritou: olha uma onça! Vixi, foi um correria doida. Tinha só uma porta de entrada, que era de saída, quase teve um atropelamento de crianças ali. Aí depois, de vez em quando, passava um caminhão ou uma camionete, por que carro não podia passar; ai pegava criança, mulher e levava para a cidade. E eu então estava com um amigo meu chamado Nico, quando nós conseguimos uma carona em um caminhão, devia ser mais ou menos quase seis da manhã, e chegamos aqui então, acho, pelas oito ou dez [horas] da manhã. Então eu estou dizendo porque é um fato quase, assim, ametódico, mas é real da luta da gente no começo. Não é só aqui, mas para poder chegar ate aqui. Então assim que foi o começo. Agora um outro, por exemplo que eu não me esqueço. Não tinha energia elétrica naquela época. Acho que vocês não viviam aqui ainda. Às dez horas [da noite] apagava tudo por que era óleo diesel. Então a gente, quando ia tomar banho, acendia uma vela de cada lado do banheiro e assim que tomava banho, durante vários anos. São dois fatos que eu me lembro e com muita alegria do início das faculdades daqui.

REKADU: Quais foram os motivos que levaram à implantação do curso de ciências contábeis?

José Antonio Tobias: Não existe civilização sem contábeis. Eu acho que a civilidade também se mede pelo nível que está a contabilidade é claro. Então eu a acho tão importante quanto o curso de letras, pedagogia. Então, como aqui na realidade, nós começamos com o curso de pedagogia, o curso de letras e o curso de contábeis. Então é um curso que eu coloquei no começo por que achei que era impossível haver uma civilização ou até um pouco de civilidade sem o curso de contábeis e como a gente vinha aqui, percebeu-se que a cidade estava decaindo, por causa da época do ouro que tinha sumido. O pessoal daqui estava indo embora, então nós resolvemos fundar contábeis, não só para valorizar o povo, mas pelo pessoal de fora, que ninguém mais queria vir aqui se não tivesse faculdade. E tendo o curso de contábeis claro, além de ser o atrativo, sobretudo para aqueles que não tinham condições de sair, ficou também como atrativo para o pessoal de fora poder vir para cá. E esse que foi o motivo ou os motivos  a pegar a preciosidade chamada  curso de ciências contábeis .

REKADU: Como o senhor avalia o curso de ciências contábeis atualmente?

José Antonio Tobias: Olha, nós recebemos aqui a comissão do MEC, que nos tratam como se a gente estivesse na capital, e as notas são dadas assim como estivéssemos em plena cidade de São Paulo e Curitiba, ou Rio de Janeiro. Não levam em conta que estamos em plena a mata amazônica e distante1000 km de Cuiabá. Não levam em conta que aqui não tem mestrado, não tem doutorado, não tem nada. Então eles nos tratam realmente de um modo injusto. O MEC nunca levou em conta, por que ele não vê o brasileiro que eu falo. Brasileiro mesmo é o brasileiro que vive aqui. Esse sim! Ele nasceu i, vive e morre por aqui, e constrói esse Brasil, que nós estamos construindo aqui. Eu costumo dizer que a gente não estuda história, a gente faz história. Então foi esse por exemplo o motivo que eu estou dizendo aqui, de trazer o curso de ciências contábeis. Ter um curso como nós temos, com um corpo docente que é uma preciosidade, uma biblioteca talvez a mais rica aqui do estado do Mato Grosso (e deve ser) e ter o curso no nível que está, que vocês participam de congresso, que participam tanto aqui e como fora daqui, eu daria a nota 10 para o nosso curso de ciências contábeis.

REKADU: O que o senhor tem a dizer sobre os planos futuros para o curso de ciências contábeis ?

José Antonio Tobias: Olha primeiro quem constrói o curso de ciências contábeis na realidade é muito mais vocês: o senhor que é do corpo docente e vocês que são do corpo discente; então quem faz o curso de contábeis hoje aqui, muito mais do que a direção, é vocês. Então o curso de contábeis, eu conto com ele pelo o movimento que tem, inclusive no vestibular está deixando o curso de direito para trás. É o curso que tem o maior número de ingressantes ou interessados em fazer o vestibular. Pelo o que eu vejo, pela preciosidade, pelo trabalho e pelo espírito de iniciativa de criatividade de vocês, creio que vai continuar subindo sempre. Agora, eu fiz de tudo para conseguir o curso de mestrado, mas o MEC torna impossível. No interior é impossível. Já tentei, gastei três anos e uma fortuna. É impossível por enquanto. Nós até fizemos uma proposta para fazer um curso de mestrado como na forma de curso de especialização: você pega o mês inteiro, por exemplo, nas férias de dezembro ou de junho e faria o curso direitinho inclusive, a própria tese daria para fazer perfeitamente. O MEC não aceita. Ele só aceita se o professor estiver residindo aqui. Um professor, por exemplo, um doutor na área de contábeis, é escasso, como é que vai fazer, se precisa de cinco professores?. Então é inviável. O curso de contábeis aqui que você esta dizendo, o futuro para mim, ele já é e vai continuar sendo um dos melhores, talvez um dos maiores do estado do Mato Grosso. Agora quem que vai fazer o progresso são os senhores, professores e alunos.

REKADU: Mais alguma coisa a acrescentar professor?

José Antonio Tobias: Agradecer vocês a honra de poder falar com todo o público aqui do nortão; e muito obrigado pelo o que vocês tem feito pela construção do nosso curso de ciências contábeis em nome de todo o povo do nortão, muito obrigado!

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